A Vale iniciou a implementação gradual de um novo modelo de jornada de trabalho em unidades operacionais e administrativas no Pará e em Minas Gerais. A proposta prevê a substituição do tradicional regime 6×1 por escalas mais flexíveis, como 5×2 e 4×3, sem redução salarial ou perda de benefícios aos trabalhadores.
A mudança foi construída em negociação com sindicatos da categoria, entre eles o Metabase, e deve atingir áreas ligadas aos complexos mineradores de Carajás, Serra Leste e Sossego, no Pará.
Novo modelo de jornada
Pelo novo formato, trabalhadores poderão atuar em escalas com mais dias consecutivos de descanso, dependendo da função e da área operacional. O acordo mantém salários e benefícios atuais, mesmo com a reorganização das jornadas.
A implantação ocorre de forma gradual, inicialmente em projetos-piloto e setores específicos, antes da expansão para outras gerências da companhia.
Saúde e segurança entre os principais fatores
Entre os motivos apresentados para a mudança estão a redução da fadiga física e mental dos trabalhadores, especialmente em atividades ligadas à mineração, onde há exposição constante ao calor, longos deslocamentos e operações de alto risco.
A empresa também busca reduzir acidentes relacionados ao cansaço excessivo e melhorar as condições de bem-estar dos funcionários.
Outro objetivo é tornar a política de recursos humanos mais atrativa diante da disputa por mão de obra qualificada no setor mineral.
Impactos em Parauapebas e Canaã dos Carajás
A alteração nas jornadas pode gerar reflexos diretos na economia local de municípios mineradores, como Parauapebas e Canaã dos Carajás. Com mais tempo livre, trabalhadores tendem a ampliar o consumo em áreas como lazer, alimentação, turismo e serviços.
Por outro lado, a mudança exige reorganização logística nas operações da mineradora, incluindo transporte fretado, alimentação industrial e controle de turnos nas minas e usinas.
Pressão sobre terceirizadas e outras mineradoras
A adoção de jornadas mais flexíveis pela Vale também pode aumentar a pressão sobre empresas terceirizadas e outras mineradoras da região para aderirem a modelos semelhantes de trabalho.
A expectativa é que as mudanças avancem gradualmente conforme os resultados operacionais e os acordos sindicais em andamento.













