No coração da Floresta Nacional de Carajás, no sudeste do Pará, um pequeno primata chama atenção pela luta contra a extinção de sua espécie e pela importância para a conservação da biodiversidade amazônica.
Conhecido como Amendoim, o sauim-de-coleira (Saguinus bicolor) aguarda a chegada de uma companheira para formar um casal e contribuir para a preservação de uma das espécies de macacos mais ameaçadas de extinção do planeta.
Atualmente vivendo no BioParque Vale Amazônia, Amendoim espera pela chegada de uma fêmea, prevista para o segundo semestre deste ano, o que permitirá a formação de um casal dentro de um programa coordenado de conservação genética da espécie.
Quem é Amendoim, o sauim-de-coleira de Carajás
Com cerca de 30 centímetros de comprimento, Amendoim chama atenção pela característica mais marcante da espécie: uma faixa de pelos brancos que forma uma espécie de coleira, cobrindo a cabeça, o pescoço e o peito.
O primata chegou ao Pará em dezembro de 2022, após ser resgatado em Manaus. Quando filhote, ele sobreviveu a um ataque de cachorro que matou um animal adulto que o acompanhava, possivelmente seu pai.
Desde então, passou a integrar ações voltadas à conservação do sauim-de-coleira, espécie endêmica do Amazonas e considerada uma das mais ameaçadas do mundo.
Espécie pode perder metade da população em menos de duas décadas
Segundo dados de conservação, a população do sauim-de-coleira pode sofrer uma redução de pelo menos 50% nos próximos 18 anos, período equivalente a aproximadamente três gerações da espécie.
A principal ameaça é a perda de habitat provocada pelo avanço urbano e pelo desmatamento. Qualquer alteração ambiental significativa tem impacto direto sobre a sobrevivência da espécie.
O sauim-de-coleira está classificado como ameaçado de extinção pelo Sistema de Avaliação do Estado de Conservação da Biodiversidade (Salve), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Formação de casais é estratégia para preservar a diversidade genética
A busca por uma companheira para Amendoim faz parte de uma estratégia coordenada entre instituições de conservação para fortalecer as populações da espécie em ambientes protegidos, segundo a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB).
A formação de casais reprodutivos é uma ferramenta fundamental para ampliar a variabilidade genética e aumentar as chances de sobrevivência dos animais a longo prazo.

Foto: Nereston de Camargo
Fonte: g1 Pará













