Governo do Pará

Pará é o 2º estado com mais conflitos de mineração no Brasil

conflitos de mineração

 

 

 

O Pará aparece como uma das principais áreas tensão entre desenvolvimento econômico e direitos territoriais no país. Dados levantados pela Universidade Federal Fluminense (UFF) mostram que o estado concentra 17,8% de todos os conflitos ligados à mineração no Brasil, ficando atrás apenas de Minas Gerais. O número chama atenção por expor uma realidade que vai além dos bilhões gerados pela atividade mineral.

Riqueza que reorganiza o território

A mineração tem papel central na economia paraense, com grande arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). No entanto, o avanço dos projetos extrativos altera profundamente a dinâmica territorial. Áreas antes ocupadas por agricultores familiares, assentamentos da reforma agrária e comunidades tradicionais passam a conviver com a pressão direta da atividade mineral.

Essa transformação não se limita ao solo explorado. Estradas, minerodutos e ferrovias criam novas divisões físicas e sociais, modificando rotas, restringindo acessos e, em muitos casos, ampliando disputas por terra e recursos naturais.

A faixa de tensão ao longo da Estrada de Ferro Carajás

Um dos principais pontos de conflito no estado está ao longo da Estrada de Ferro Carajás (EFC), corredor logístico essencial para o escoamento de minério. A ferrovia atravessa dezenas de comunidades e territórios, tornando-se uma verdadeira “faixa de tensão”.

Moradores relatam impactos constantes como poluição sonora, vibração das composições e dificuldades de mobilidade. Em diversas localidades, a ferrovia divide propriedades, isola comunidades e impõe riscos diários à população, especialmente em travessias improvisadas.

Ação judicial amplia debate sobre direitos indígenas

Em março de 2026, o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ação contra a Vale e o Ibama questionando a operação da ferrovia duplicada dentro da Terra Indígena Mãe Maria, no sudeste do Pará. O ponto central da ação é a ausência de consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas afetados, como determina a Convenção 169 da OIT.

Entre royalties e conflitos

Enquanto a mineração impulsiona a arrecadação e fortalece a balança comercial brasileira, também intensifica conflitos fundiários e sociais. Especialistas apontam que o problema não está apenas na atividade em si, mas na forma como ela é implantada e regulada. A ausência de planejamento territorial integrado e de mecanismos eficazes de mediação contribui para o agravamento das disputas.

A pressão internacional tende a aumentar a cobrança por soluções que conciliem produção mineral, proteção ambiental e respeito aos direitos das populações locais. O desafio permanece: transformar a riqueza extraída do subsolo em desenvolvimento que alcance, de fato, quem vive sobre ele.

Curionópolis

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