O debate sobre o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um, avançou em Brasília e entrou de vez na pauta política nacional. O governo federal e o Congresso Nacional aceleraram as discussões sobre mudanças na jornada de trabalho, pressionados por trabalhadores, sindicatos e setores empresariais.
A proposta ganhou prioridade na agenda política e deve ter etapas decisivas nas próximas semanas, com audiências públicas e análise de impacto econômico antes de uma possível votação.
Governo defende redução da jornada semanal
O Ministério do Trabalho defende a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirma que a economia brasileira já possui condições para avançar nessa mudança de forma gradual.
A proposta defendida pela pasta prevê uma transição progressiva, com espaço para negociação coletiva entre empresas e sindicatos. A estratégia busca reduzir resistências do setor produtivo e evitar aumento imediato nos custos das empresas.
Divergência dentro da base governista
Apesar do avanço do debate, há diferenças dentro da própria base do governo sobre a forma de aplicar a mudança.
Uma ala mais alinhada ao deputado federal Guilherme Boulos apoia a proposta apresentada pela deputada federal Erika Hilton. A proposta prevê jornada semanal de 36 horas e o fim direto da escala 6×1.
Já o Ministério do Trabalho prefere uma transição gradual, construída por meio de negociações entre sindicatos e empresas, evitando mudanças abruptas no mercado de trabalho.
Congresso prevê avanço da proposta ainda em 2026
O presidente da Câmara, Hugo Motta, indicou que a tramitação da proposta pode ser concluída até maio de 2026.
A Câmara dos Deputados iniciou uma série de audiências públicas na Comissão de Constituição e Justiça para discutir o tema.
Entre os convidados está o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que deve apresentar estudos sobre impacto econômico e fiscal da mudança.
Representantes do setor produtivo também participam das discussões e alertam para possíveis aumentos nos custos operacionais caso a jornada seja reduzida sem ajustes na legislação.
Empresários alertam para aumento de custos
Entidades empresariais demonstram preocupação com o impacto financeiro da mudança. Representantes da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos afirmam que a redução da jornada pode elevar em até R$ 23 bilhões os custos operacionais do setor.
Empresários defendem que qualquer alteração seja acompanhada de medidas de compensação ou incentivos para evitar demissões ou repasse de custos aos consumidores.
Popularidade da medida pressiona avanço
Apesar das divergências, pesquisas indicam forte apoio popular ao fim da escala 6×1. Levantamentos apontam que mais de 70% dos brasileiros são favoráveis à redução da jornada semanal sem diminuição de salários.
Estudos da Universidade Estadual de Campinas apontam que a redução da carga horária pode estimular a criação de até 4,5 milhões de empregos para suprir novos turnos de trabalho.
Governo vê pauta com impacto social
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido a mudança como uma pauta social importante, especialmente para trabalhadores que enfrentam longas jornadas e pouca folga semanal. Segundo o governo, a alteração pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, aumentar a produtividade e ampliar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Com as eleições se aproximando, a discussão sobre o fim da escala 6×1 tende a ganhar ainda mais destaque no cenário político e econômico do país.















