O preço do etanol hidratado acumulou alta de 5,1% em 2026 e passou a liderar os reajustes entre os principais combustíveis no país em fevereiro. O aumento ocorre em um momento de pressão sobre o orçamento das famílias e supera, em diversas capitais, as variações registradas na gasolina e no diesel.
A principal explicação para a alta está na entressafra da cana-de-açúcar, período em que a produção diminui e a oferta do biocombustível fica mais restrita. Com menor volume disponível nas usinas, os preços sobem nas distribuidoras e o repasse chega rapidamente às bombas. Além disso, ajustes recentes nas alíquotas de ICMS adotados por estados brasileiros contribuíram para elevar o valor final ao consumidor.
Com o avanço dos preços, a vantagem econômica do etanol em relação à gasolina tem diminuído. Especialistas recomendam que o motorista faça o cálculo de paridade, considerando que o etanol só compensa quando custa até 70% do valor da gasolina. Em muitos estados, essa diferença está cada vez menor, o que leva parte dos consumidores a optar pela gasolina.
O impacto da alta também preocupa economistas, já que os combustíveis têm peso relevante nos índices oficiais de inflação, como o IPCA, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O aumento pode influenciar diretamente os custos de transporte, fretes e serviços por aplicativo, pressionando o custo de vida nas grandes cidades.
Para os próximos meses, o comportamento dos preços dependerá do início da nova safra de cana, das políticas tributárias estaduais e da dinâmica do mercado de combustíveis. Caso a oferta aumente, pode haver recuo gradual nos valores. Até lá, o consumidor deve acompanhar os preços e fazer as contas antes de abastecer.















