Câmara de Parauapebas aprova programa de ressocialização de egressos do sistema prisional com reserva de vagas em contratos da prefeitura
Em uma importante articulação voltada à segurança pública preventiva e à inclusão social, a Câmara Municipal de Parauapebas aprovou, na sessão ordinária desta terça-feira (2), o Projeto de Lei nº 167/2026, de autoria do vereador Sargento Nogueira (Avante), que institui as diretrizes para o Programa Municipal de Ressocialização de Pessoas em Cumprimento de Pena e Egressos do Sistema Prisional.
\r\nA proposta foi aprovada com uma emenda apresentada pelo vereador Anderson Moratorio (PRD), que prevê a reserva de vagas de trabalho para os beneficiários do programa nos contratos firmados pelo município.
\r\nA iniciativa também responde a um questionamento do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), emitido por meio da 7ª Promotoria de Justiça Criminal de Parauapebas, sobre a tramitação de proposta legislativa voltada à inclusão de egressos do sistema prisional nas contratações municipais. A manifestação do MPPA reflete uma preocupação com as altas taxas de reincidência criminal decorrentes da falta de oportunidades no mercado formal de trabalho.
\r\nFuncionamento do programa
\r\nDe acordo com o Projeto de Lei nº 167/2026, o programa funcionará como uma política pública estruturada para que apenados e egressos tenham condições reais de reconstruir suas vidas longe da criminalidade.
\r\nO atendimento será direcionado a pessoas em cumprimento de pena nos regimes aberto ou semiaberto, egressos do sistema prisional e indivíduos condenados por infrações de menor potencial ofensivo ou por crimes praticados sem violência ou grave ameaça.
\r\nA reintegração social ocorrerá por meio da oferta de cursos de capacitação profissional, incentivo à inserção no mercado de trabalho, desenvolvimento de atividades educacionais e esportivas, além de amparo psicológico e social, orientação jurídica e apoio para a regularização de documentos básicos.
\r\nPara viabilizar a execução da proposta, o projeto autoriza o Poder Executivo a firmar parcerias com o Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), o Ministério Público (MPPA), a Defensoria Pública do Estado (DPE-PA), o Sistema Nacional de Emprego (Sine), empresas privadas, organizações da sociedade civil e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).
\r\nA proposição também faculta ao governo municipal a criação de incentivos institucionais para empresas privadas que decidirem contratar voluntariamente os assistidos pelo programa.
\r\nEmenda aditiva
\r\nPara que o programa não ficasse limitado a intenções formais, o presidente da Câmara, vereador Anderson Moratorio, apresentou a Emenda Aditiva nº 28/2026, acrescentando o Artigo 5º-A ao projeto.
\r\nO dispositivo determina que os contratos administrativos e terceirizados celebrados pelo município deverão conter, obrigatoriamente, cláusula prevendo um percentual de vagas destinado à contratação de beneficiários do programa.
\r\nA matéria foi elaborada para dar flexibilidade à gestão municipal, pois não impõe contratação automática nem estabelece um número fixo de vagas. Caberá ao Poder Executivo definir o percentual e os critérios de aplicação de acordo com a natureza de cada contrato, avaliando, por exemplo, se o serviço terceirizado é compatível com o perfil da mão de obra disponível.
\r\n“A emenda ora proposta apenas aperfeiçoa o Projeto de Lei nº 167/2026, aproximando-o da finalidade sugerida pelo Ministério Público e conferindo maior concretude à política pública de ressocialização, sem afastar a competência do Poder Executivo”, explicou Moratorio.
\r\nEncaminhamento
\r\nAprovados em conjunto, o Projeto de Lei nº 167/2026 e a Emenda Aditiva nº 28/2026 seguem agora para sanção do prefeito Aurélio Goiano (Avante). Caso sejam sancionados e publicados no Diário Oficial, caberá ao Poder Executivo regulamentar a aplicação da nova lei.\r\n\r\n \r\n\r\nTexto: Nayara Cristina\r\n\r\nFoto: Renato Resende (AscomLeg 2026)