O vereador de Parauapebas Leandro do Chiquito declarou patrimônio de R$ 2 milhões nas eleições de 2020 e 2024. O valor representa uma diferença de R$ 1,9 milhão em relação à primeira declaração, feita em 2016, quando informou possuir bens avaliados em R$ 100 mil. Os dados integram esta edição do Raio X da Política, que analisa o patrimônio declarado, a remuneração e as prestações de contas eleitorais do parlamentar.
Atualmente, o vereador recebe salário mensal de R$ 17.387 pelo exercício do mandato. Em 12 meses, a remuneração soma R$ 208.644, sem considerar eventuais descontos ou outras verbas.
Patrimônio declarado à Justiça Eleitoral
Os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram uma mudança no valor e na descrição dos bens declarados por Leandro do Chiquito ao longo das três eleições analisadas.
Em 2016, o vereador informou possuir um bem classificado como terra nua, avaliado em R$ 100 mil. Na eleição de 2020, declarou um terreno no valor de R$ 2 milhões. A mesma descrição e o mesmo valor aparecem na declaração apresentada em 2024.
A diferença entre o patrimônio informado em 2016 e o registrado em 2024 é de R$ 1,9 milhão, equivalente a um aumento nominal de 1.900%, sem correção pela inflação.
Outro aspecto dos registros é a composição patrimonial apresentada nas duas últimas eleições. Embora exerça mandato no Legislativo municipal, Leandro declarou apenas um terreno avaliado em R$ 2 milhões em 2020 e 2024. Não aparecem imóveis residenciais ou veículos de uso próprio entre os bens informados nesses anos.
A declaração eleitoral representa os bens informados pelo candidato à Justiça Eleitoral. A ausência de determinados itens não comprova irregularidade, assim como os registros disponíveis, isoladamente, não permitem concluir se existem outros bens utilizados pelo parlamentar, mas registrados em nome de terceiros.
A comparação entre salário e patrimônio declarado permite dimensionar os valores registrados ao longo da trajetória política do vereador. Entretanto, a remuneração atual não explica, por si só, a origem do patrimônio informado em eleições anteriores. Para estabelecer essa relação, seria necessário analisar a evolução dos rendimentos, as aquisições de bens e outros documentos financeiros referentes ao período.
Trajetória eleitoral: de 837 a 3.437 votos
Leandro do Chiquito, nome político de Leonardo da Silva Mendes, disputou três eleições municipais em Parauapebas, entre 2016 e 2024. Nesse intervalo, passou de candidato não eleito a vereador reeleito, com crescimento da votação.
Em 2016, concorreu pelo Partido da República (PR), recebeu 837 votos e não conquistou uma vaga na Câmara Municipal.
Na eleição de 2020, já filiado ao Partido Republicano da Ordem Social (PROS), obteve 1.213 votos e foi eleito pelo critério de média.
Em 2024, pelo Solidariedade, recebeu 3.437 votos e garantiu a reeleição pelo quociente partidário. O resultado foi 183% superior ao registrado quatro anos antes.
O histórico eleitoral também registra duas mudanças de partido: do PR para o PROS e, posteriormente, do PROS para o Solidariedade.
Campanha de 2024: R$ 88,5 mil em receitas
Na campanha que garantiu sua reeleição, Leandro do Chiquito arrecadou R$ 88.503 e declarou despesas de R$ 81.601, conforme os registros da prestação de contas eleitoral.
As doações de pessoas físicas somaram R$ 59.800, aproximadamente 68% da arrecadação. O candidato também declarou R$ 23.603 em recursos próprios, cerca de 27% do total, e R$ 5.100 provenientes do Fundo Partidário.
Entre as despesas, o maior valor foi destinado a transporte ou deslocamento, com R$ 25 mil. O montante corresponde a aproximadamente 31% dos gastos declarados.
As atividades de militância e mobilização de rua receberam R$ 21.180, enquanto a publicidade por adesivos custou R$ 14.990. A prestação de contas também registra R$ 3.783 em impulsionamento de conteúdo, R$ 3.244 em combustíveis e lubrificantes e R$ 3 mil em locação de imóveis.
Na relação de fornecedores, a R. S. Serviços e Comunicação Limitada recebeu R$ 14.990, enquanto a WW Transporte Locações e Turismo Ltda. recebeu R$ 13 mil. O Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. aparece com R$ 3.783, e a Caetano Pinheiro Ltda., com R$ 3.244.
Os registros permitem identificar a origem declarada dos recursos e a destinação dos gastos eleitorais, incluindo os valores pagos a fornecedores de serviços utilizados durante a campanha.
Campanha de 2020: receitas de R$ 52,5 mil
Na eleição de 2020, quando conquistou seu primeiro mandato, Leandro do Chiquito arrecadou R$ 52.562 e declarou despesas de R$ 39.183.
As receitas incluíram R$ 21.245 em doações de pessoas físicas, R$ 14.335 em recursos próprios, R$ 10.007 do Fundo Eleitoral e R$ 6.974 do Fundo Partidário. Os dois fundos públicos somaram R$ 16.981, embora o levantamento original apresente R$ 16.982 para essa categoria, uma diferença de R$ 1.
Entre as principais despesas estavam R$ 12.500 em reembolsos de gastos realizados por eleitores, R$ 9.970 em despesas com pessoal e R$ 5.927 em publicidade por materiais impressos.
A relação de fornecedores registra pagamentos à Double Comunicação e Marketing Ltda., no valor de R$ 2.737, e a Flexsandra Rodrigues Amorim Silva, com R$ 2.500. A Gráfica Oliveira e Macedo Ltda. recebeu R$ 2 mil, enquanto o Auto Posto Altamira Ltda. recebeu R$ 1.405.
A comparação entre as duas campanhas mostra que a arrecadação declarada passou de R$ 52.562, em 2020, para R$ 88.503, em 2024, um crescimento de aproximadamente 68%. No mesmo período, as despesas declaradas aumentaram de R$ 39.183 para R$ 81.601.
O que os registros revelam
O Raio X da Política reúne informações públicas sobre patrimônio declarado, remuneração, votação e financiamento eleitoral. No caso de Leandro do Chiquito, os registros mostram bens declarados de R$ 2 milhões nas eleições de 2020 e 2024, salário mensal de R$ 17.387 e uma votação que passou de 837 votos, em 2016, para 3.437, em 2024.
As prestações de contas também mostram o crescimento da arrecadação entre as duas campanhas analisadas, com participação de doadores pessoas físicas, recursos próprios e verbas dos fundos eleitorais e partidários.
Os números permitem acompanhar a evolução das informações declaradas pelo vereador à Justiça Eleitoral e os recursos utilizados nas campanhas. A apuração sobre a origem do patrimônio ou eventuais divergências exige a análise de documentos complementares, considerando os rendimentos, as aquisições e as circunstâncias de cada declaração.
Raio X da Política: patrimônio declarado, salário, campanhas eleitorais e informações públicas sobre representantes políticos.











